
«Um arqueiro quis caçar a lua. Noite atrás noite, sem descansar, lançou as suas flechas ao astro. Os vizinhos começaram a gozar com ele. Imutável, continuou a lançar as suas flechas. Nunca caçou a lua, mas tornou-se no melhor arqueiro do mundo!», Alexandro Jodorowsky
sexta-feira, agosto 29, 2008
Fim!

quarta-feira, agosto 13, 2008
...
Construí um sonho com quatro bugalhos e uma borboleta. A borboleta tinha a terrível mania de que era uma matrioska, sendo que, por força queria viver dentro de um bugalho.
Se um dia, as borboletas fossem efectivamente matrioskas, com as suas grandes madeiras, de várias camadas, o que poderia acontecer aos nossos sonhos? Deixaríamos de sonhar coisas inverosímeis e passaríamos a imaginar realidades autênticas. Tal situação, para mim deitar-me-ia por terra. Onde iria buscar agrafadores falantes e tartarugas voadoras? Com que sonharia, senão com um mar de sumo de ananás e areia de açúcar amarelo? A imaginação, julgo, não tem limites… e nem vale a pena impor-lhe barreiras.
Se não tivesse para onde fugir, para onde olharia? Já não poderia observar as nuvens, fotografá-las, pintá-las e ensaiá-las para a tempestade que ocorrerá daqui a dois dias. Sim, porque sou eu quem ensaia as nuvens. E se estas se portam mal… aí sim levam tau-tau na sua espuma melíflua.
Mas não, não sou eu que controlo o tempo e mesmo a pluviosidade, a precipitação… só a tristeza e a dor que me escorrer como linfa da cabeça até à pontinha do dedinho mindinho do pezinho esquerdo.
E no entretanto, cabe-me a difícil e árdua tarefa de sonhar… e depois?
The flower said, "I wish I was a tree,"
The tree said, "I wish I could be
A different kind of tree,
The cat wished that it was a bee,
The turtle wished that it could fly
Really high into the sky,
Over rooftops and then dive
Deep into the sea.
And in the sea there is a fish,
A fish that has a secret wish,
A wish to be a big cactus
With a pink flower on it.
Tree Hugger - Kimya Dawson and Antsy Pants
Dêem-me amarras, que quero fugir…
segunda-feira, agosto 11, 2008
Free Press...
Estou cansada das opiniões sobre a imprensa gratuita. Estas dividem-se entre o “é maravilhoso” e o “é apenas publicidade, por vivem à base disso”.
«A imprensa gratuita tem uma capacidade de desenvolver novos e inovadores formatos, com um elevado impacto junto dos públicos-alvo» - dixit o director de Marketing da Coca-Cola Portugal, José Alberto Antunes. De notar que, os jornais gratuitos são publicações de, e para as populações, e que é de senso comum que muito poucos são aqueles que efectivamente lêem, sendo que a televisão veio alargar a entrega de informação, ao mesmo tempo que a standartizou.
Na realidade estes jornais não têm vergonha de afirmar que vivem para a publicidade. Pode-se verificar que este tipo de imprensa facturou quase 70 milhões de euros em publicidade em 2007. Porquê? Porque ninguém rejeita o que lhe dão para a mão, o que não significa que o leiam ou que entendam o que lá está. Infelizmente, os estudos da Psicologia estão repletos destes casos de leituras transversais ou não leituras. O que sabe melhor: uma amostra grátis de um paté gourmet ou um paté gourmet pago pelo nosso bolso? Eu escolho a segunda. E obviamente a mim ninguém me tira o meu Expresso ao Sábado – mesmo depois do Saraiva (na realidade acabo por comprar os dois, pela qualidade das infografias do segundo, certo Professor Hélder?) – tal situação, não impede que, nos semáforos, eu receba aprimoradamente o meu Destak ou Metro, que acaba por morrer no banco traseiro da minha viatura. Aliás, o gratuito "Sexta" iniciou a sua campanha assim.
Portanto, chegamos a um segundo ponto que é: há pessoas que realmente lêem. É verdade. E sim é exacto o facto de que, muitas vezes, a publicidade surja mascarada de notícia. Daí o termo "publireportagem", que é a coisa com a maior falta de discernimento que conheço. No entanto, cabe a cada pessoa conceber onde está a ser ludibriada e onde não está. Se uma notícia é mais importante que outra, não nos cabe a nós decidir, pois há muito que a discussão dos valores notícia se alongam nas cadeiras da academia. Por conseguinte, tenho de perceber se me tentam enganar.
Think different já defende a Apple. Nunca vamos tentar mostrar a realidade como ela é... porque sabemos que os media não são um espelho, mas uma escolha... e nesse ponto de vista, estamos a ser embusteados todos os dias. Há é que aprender a dizer não.
Aí está o desafio. Todos gostamos de ser desafiados.
Dêem-me calor, que com esta chuva já calcei as botas!!!
quinta-feira, julho 17, 2008
Quando saíres... fecha a porta no trinco!
Chegaste mesmo a bater a porta. Como de tantas outras vezes em que a abriste com a chave. Esperei por ti a vida toda, para depois me deparar com um vazio que não me preenche nada, a não ser de dor.
Sempre sofri por amor. E julgo que algum dia me hei-de arrepender disso. Da mesma maneira como me arrependi no outro dia de ter comido um pastel de nata, um croissant e um bolo de bolacha, quase tudo de uma vez.
Não sei se o meu distúrbio alimentar vem da minha ansiedade pela paixão, ou se sou mesmo uma parva lambona. Não sei se quando caminho na rua e sinto o vento na cara se ele também me sente. Não sei se o chão fala comigo, ou se os pássaros e as borboletas sabem o meu nome. Se as ervas daninhas sonharam comigo de noite ou se os pombos comeram os meus restos de saudade que deixei pelo caminho à espera que me encontrasses de novo.
Quem sabe se não foi isso que aconteceu e por essa razão não me encontraste? Sim, porque eu acredito que continuaste à minha procura. O meu problema é que eu acredito em muita coisa. E, acima de tudo, acredito que um dia eu fui o teu pijama cor de laranja, do qual não te separas.
Eu não consigo viver sem a minha almofada cor-de-rosa e tu não conseguias ver a tua vida sem uma porcaria de um pijama de 5 euros que te comprei nos saldos da La Redoute. Sabia tão bem adormecer agarrada com unhas e dentes àquele algodão colorido. Sabia tão bem poder sentir-te sem ele, pele com pele, respiração com respiração, vida com vida, paixão com amor e desejo com…
Sabia bem saber de tudo e ao mesmo tempo não saber de nada. Mas o amor tem muito disto. De não saber. Agora sei muito menos. Não sei se me dói menos ou mais. Mas estava habituada à tua vida. E isso preenchia-me as tardes quentes de sandália no pé, unhas pintadas de vermelho e cigarro na ponta dos dedos a saborear o sol. Hoje sei que a vida que vivo é apenas a minha. Afinal é só essa que tenho para viver. A tua? Deve ser de outra agora.
A minha é do mar… porque até é Verão e tenho de tirar o bikini da gaveta. É do martini das noites longas e dos sorrisos das tardes quentes.
Não penso em ti.
Dêem-me chuva, que o sol queima-me a inteligência e faço textos deste género…
sábado, junho 07, 2008
sexta-feira, maio 23, 2008
terça-feira, maio 06, 2008
No title
De entre as paredes fechadas da minha pele, reina o mistério de não saber quem sou. Perco-me na confusão dos dias, na ternura das noites. Canso-me de cogitar soluções absurdas para o meu problema. Mato-me. Ressussito-me. Levanto-me. Começo tudo outra vez. Sempre com esta dor imensa que me atravessa o peito.
Gostava de chorar como as pedras da calçada. Agarrar-me a elas com os dentes e apertá-las com força contra o peito. Só para ver se sentia outra dor sem ser esta…
Mas nada disso pode acontecer. Nem isso nem outra coisa qualquer. Estou condenada a este vazio literário de sentimentos e palavras absurdas… a esta imensidão de desgostos, cansaços e tudo o mais sem sentido algum.
Olho para as minhas nuvens. Essas sim têm sentido.
Quero uma seta que indique o caminho em frente, à esquerda e à direita. Não quero uma rua de sentido obrigatório.
Dêem-me um stop, que sou daltónica.
sexta-feira, abril 18, 2008
You Make it Easy [Air]
You make it easy to let the past be done
You make it easy
How'd you do it? How'd you find me?
How did I find you?
How can this be true?
To be held and understood
quinta-feira, abril 17, 2008
Tenho pessoas...
Tenho sono… e além disso tenho muitas outras coisas: Tenho chuva no cabelo;
Tenho um Cinqueciento maravilhoso;
Tenho dois telemóveis;
Tenho um mestrado para acabar;
Tenho uma dieta para cumprir;
Tenho muito amor para dar…
Aparte disto, não tenho nada, a não ser um vazio imenso que me preenche as entranhas. Não tenho sol, não tenho paz, não tenho descanso, não tenho vida…
Ainda há bem pouco tempo, fazia o trajecto Leiria – Lisboa (habitual) no Expresso e chovia… chovia muito. Bastante até. Parámos em Caldas, onde parecia existir uma inundação. A água escorria por todo o Autocarro e fez-me sentir limpa. Por momentos não tive pecados, nem cenas incestuosas. Estava por debaixo daquela água e sentia-me purificada. Depois de repente, parou de chover e a velocidade do autocarro escorreu todas as gotas de água outrora pertencentes ao meu vidro, as quais já tinha acarinhado.
Voltei ao que era. E senti-me triste por isso. Senti-me culpada e miserável novamente…
É interessante como e de que maneira um dia de chuva nos pode fazer sentir bem e a sua ausência nos faz sentir mal. Nós, que detestamos chuva e praguejamos ao céus quando ela nos cai em cima, indefesa, disposta a ajudar-nos a continuar a sobreviver…
Pensei que somos assim também com as pessoas. Há pessoas que pensamos que nos massacram a vida; pessoas a quem nos sentimos obrigados a estar e a confraternizar; pessoas de quem pensamos que não precisamos. Mas, no entanto, há momentos em que só essas pessoas nos podem fazer sentir bem.
São pessoas que estão perto, e muitas vezes, mais perto e mais juntinho do quentinho do nosso coração do que pensamos. E que só nos querem bem e felizes. Se por ventura, um dia, essas pessoas nos faltassem… bem, aí íamos sentir na pele a sua nostalgia associada à nossa solidão.
Tenho a certeza de tudo isto. E nunca tenho verdades absolutas sobre nada…
Dêem-me sol e calor, que me sinto estúpida!!!
Foto [Faneca in http://www.olhares.com/Fanequita]
segunda-feira, abril 14, 2008
O real são borboletas amarelas...
As noites e os dias que ultimamente tenho vivido, admito, são difíceis. Levanto-me cedo demais, deito-me tarde demais, oiço o que não devo, dou o litro e levo pancada. Sempre pensei que a vida fossem borboletas amarelas, e sonhos às bolinhas cor-de-rosa. Ou se não fosse isso, que pelo menos fosse parecido.
Afinal, nem fazem parte do mesmo grupo de palavras.
Esta dissemelhança entre a realidade, o discurso que elaboramos sobre a realidade e aquilo que queríamos que a realidade fosse tem muito que se lhe diga. Mal sei eu que queria que o dia tivesse 36 horas sendo que 4 das quais me bastavam para dormir, e nas restantes dormitaria sobre assuntos pendentes, urgentes e afins… Se eu pudesse planear a minha realidade, seria bem diferente do que é real: vinha vestida de pirata para o trabalho, com uma coroa de princesa. De vez em quando teleportava-me para o amor dos meus animais de estimação e lava-lhes o ego com mimos. Depois, saía de casa e voava até à Austrália onde apanhava umas ondas e sorria como os koalas para os gajos giros… nunca me tinha de preocupar com dinheiro, com facilitismos, lobbies, doutores boys e éteceteras. Só me tinha de preocupar em espalhar amor a pacotes de arroz pelos amigos e dormir no quentinho da família de cada vez que me apeteciam lareira e chocolate…
Seria tudo tão fácil… tudo tão simples… agora que isto seria possível, é sempre… nem que seja na minha mente depravada…
Por enquanto vou-me esquecendo de mim em copos de martini, ao som de Depeche Mode, não é Aninha?
[Foto: Ana - à esquerda; Faneca - à direita]
domingo, abril 06, 2008
As minhas imagens...
Na antiguidade, não muito antiga, acreditava-se que, ao tirar uma fotografia, era retirada a alma da pessoa fotografada e guardada naquela caixinha mágica. E depois de morta? Depois de morta a pessoa era fotografada, para ser sempre recordada. Talvez por isso fotografei esta tarde o cemitério da minha vila sob o olhar reprovador dos circulantes.Não é difícil tentar perceber esta mentalidade – a de ser perder a alma numa fotografia. Muitas vezes, quando fotografo, tento retirar o máximo da alma da cena ou do objecto, e guardá-la nos meus 10 milhões de pixels. Depois, quando posso, imprimo. E olho para a minha obra.
Gosto de pegar na fotografia e aplicar-lhe texturas e mesmo cores. E depois de impressa gosto de trabalhar ainda sobre ela, com tinta de óleo e mesmo um pastel, quer seja de óleo, quer seja compacto.
As imagens nunca ficam estáticas. Se bem que existem imagens que não ouso tocar. A imagem da minha infância feliz, e mesmo a imagem da minha sofrida adolescência ficaram retidas de tal forma, que não há pincel ou borracha que tente apagar ou colorir os momentos menos bons. Quem me conhece, e mesmo quem me lê, sabe que sou uma louca agarrada ao passado. Por mais que me tente distanciar é sobre ele que reflicto de todas as vezes que, sentada na varanda da minha casa, tento imaginar uma história nova.
Apesar de tudo, também não me consigo distanciar das emoções. Daqueles momentos fugazes. Daquele bater forte do coração. É mesmo verdade. Não suporto imagens estáticas e rotinas e palavras iguais e sorrisos cor de laranja. Não suporto ter de olhar para as minhas imagens e chorar sobre elas como se fosse leite derramado. Não suporto acreditar que “amanhã será melhor” ou no “happily ever after” Não há futuro quando não existe amor guardado em pacotes de batatas fritas. Não há saudade que não negue uma lágrima de nostalgia.
Sinto um desconforto brutal por não ser feliz. Sinto-me incompleta. Sei que seria feliz se fugisse daqui. Mas para onde? Fugir fugiria, no entanto as imagens ficariam para sempre comigo. Não há quem apague as fotos tiradas pelos olhos da memória. Não há quem apague esta bola de dor entre os meus pulmões. Não há que me segure ao colo, e afague os cabelos húmidos e me diga “quero-te”. Não há? Talvez haja, eu é que não quero ver porque só penso em fugir.
quinta-feira, abril 03, 2008
nostalgia... do nada
Se eu fosse de ferro vestia-me de cinzento todos os dias… acordei com esta frase a passear-se na minha cabeça e sinceramente não sei o que fazer com ela. O poço sem fundo em que se tornou a minha vida é mais cor-de-rosa chock. Parece que caminho por entre sorrisos falsos e promessas escondidas. Desenhos desenhados em paredes desenhadas de branco puro. É tudo muito triste e tudo me dói.
Quando a chave entrou na fechadura da minha porta de alumínio negro, quando ouvi aquele raspar rouco que se entranha na pele, lembrei-me por ventura do teu cheiro, e de como sabiam bem aquelas tardes à beira mar. Como a espuma dos dias e a cevada das noites me levavam entre caminhos de estrelas e martinis gelados. Como o teu cabelo era suave e com cheiro a johnsons baby camomila. Eras claro e tinhas mãos de pianista, no entanto enveredaste pelo mundo das artes cénicas e dos amores sem sentido. Como o nosso. Como o beijo que demos e que nunca voltámos a repetir.
A nostalgia tem destas coisas. De nos lembrarmos de pessoas que de certeza nem se recordam de nós. Que dormiram connosco e partilharam a mesma almofada. Que fizeram comentários sobre a lua escura, a lua nova e o quarto minguante. Que arranharam os dedos pela minha pele jovem, virgem e macia… que ficaram comigo várias noites depois dessa. Na minha cabeça. Nas minhas mãos… no meu telefone…
Só foi pena nunca teres existido...
sexta-feira, março 28, 2008
terça-feira, março 25, 2008
Rugas...
Deixei de gostar de escrever em papel… Sinto uma grande necessidade de o fazer, mas só o facto de me começar a doer o calo do dedo médio da mão direita me faz espécie… e ainda por cima, nem uma treta de portátil tenho… tenho de investir em 550 mil coisas o que faz com que não invista em mais uma para somar ao cartel.
Há muita coisa que não faço… mas há muita coisa em que penso. Ultimamente tenho pensado bastante… e como sou uma tola agarrada ao passado… lembro-me do meu com um sorriso! Chego a sentir as mesmas emoções e mesmo a sentir os cheiros os sabores… a mente é mesmo uma coisa deveras fascinante.
Houve muita coisa que senti, que me doeu, mas que sem vergonha, passaria por elas na mesma. Custa-me acreditar que o passado já passou e que não há volta a dar-lhe. Principalmente agora que estou à beira dos 25 anos, e já se denotam duas rugas na minha testa, como que a dizer: “não és de ferro”.
Custa-me… custa-me acreditar que eu já não sou a mesma pessoa… que já não estou no mesmo lugar… que já não penso as mesmas coisas… e agora custa-me olhar para o espelho e ver que nem aí o sorriso é o mesmo.
Nunca pensei que tivesse medo de envelhecer… sempre disse que nada me assustava e que os cabelos brancos me animavam pela sua sensualidade. Ora, agora sou eu… não são os outros… e é uma treta saber que o teu corpo está em desgaste…
Sempre me deprimi no meu aniversário. Chorava sem saber porquê!!! Parece que este meu próximo aniversário vai ser o pior da minha vida…
É que o problema é que eu adoro viver… e só de pensar que os cartuchos estão a queimar… arrepia-me…
Deêm-me fogo, que eu tenho calor!
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Sonho de uma noite de Verão durante a meta-vida

Sempre disse que preferia o Inverno. A roupa que mantenho no armário para essa estação é muito mais cool. A lareira acesa nos meus fins-de-semana sonolentos, o Natal com todos os seus bolos rei e filhoses quentinhas, sem esquecer as passagens de ano amenas junto dos amigos e carnavais mirabolantes (no ano passado foi na Madeira, este ano parece que vou colocar os meus pés no verdadeiro museu do Prado, em Madrid).
Mas o Verão é sempre o Verão! A roupa no armário pode não ter tão cool, mas é mais hot hot. Mais colante… (agora que me apetecia passear-me de biquíni na praia sem menos os meus oito quilos). No entanto não é só isso. O calor faz-me recordar a minha fabulosa viagem ao Egipto. Os dois meses de Angola… Faz-me antever a próxima a Praga. Recordar-me das noites regadas de Martini junto das amigas, misturadas com conversas de foro duvidoso e beijinhos e abraços, no mínimo "lesbianaicos". As noites quentes vestidas de alças da Zara e as lágrimas de riso nas passeatas de quinta-feira.
A vida tem muitas destas coisas que nos fazem lembrar de outras. Existem cheiros que nos levam ao Passado. Imagens que nos fazem sentir mais perto de quem mais amamos. Vivemos de recordações e das associações do que aconteceu no que já passou. Por vezes queremos repetir. Muitas outras nos vemos obrigados a esquecer… a apagar da memória. Pois bem, eu gosto de tudo o que me lembro. Mesmo do que me dói e das feridas que ainda ficaram por sarar… agora o Verão podia mudar muita coisa. Queria um cheirinho de Verão para me lembrar só mais um pouco de felicidade.
Apagar o frio das mãos, dos pés… o cansaço das viagens…
queria uma vida… não a minha… meta-vida…
Legenda Imagem | Eu e a Aninha... uma das minhas grandes amigas das noites de Verão e Inverno
sexta-feira, dezembro 21, 2007
quarta-feira, outubro 31, 2007
Não consigo pensar... ponto! (de exclamação???)
Não consigo pensar... este é o tema. Estou de dieta. E dói-me um dente. Vamos por partes.
Estou agora a frequentar um mestrado em Lisboa... três dias por semana: segunda, terça e quarta-feira. Sim, eu sou de Leiria. Sim, eu moro em Leiria. Sim, trabalho em Leiria. Sim, estou completamente louca por estar para aqui a caminhar estes dias.
Ando cansada. Acho que estou a ficar velha demais e pior... não consigo pensar em nada o suficientemente abrangente e abstracto para continuar uma vida sã e sem mossas. Ainda há pouco me pus a pensar nas coisas que gostava antes de pensar e que me deixavam um sorriso nos lábios. Chiça!!! Não sai nada. Absolutamente. Um vazio oco na minha cabeça que de repente me colocou na opção de que não mereço esta cor de cabelo. Não entra nada... não sai nada destes neurónios cansados e necessitados de um sono restabelecedor.
Começo a pensar na dieta. Pior, pareço daquelas miúdas que só lê a Vogue e fica à espera das malas de brinde. Céus... eu comprei carteiras de brinde??? Que ainda por cima vinham na Lux Woman.
Estou derrotada. Sinto-me completamente estuprada pela civilização. Moldaram-me a mente e fizeram de mim uma zé igual a todas as outras e que me deixa desiludida... Preciso de mudar esta situação. Talvez tenha sido por esta situação que nunca mais por aqui deixei lamentos. Mas amigos, a minha vida é mesmo um caos e fora a minha vida não tenho mais nenhuma para viver. Quem me dera depor uma máscara e andar por ela de maneira diferente que não eu. Multiplicidade de vidas e de sentidos. Uma meta-vida. Uma tudo-junto e sem conteúdo.
Deêm-me conteúdo que já fiz um funeral aos neurónios.
Quanto ao dente. Cá está... a doer-me... é isso e a minha hérnia. Para além de burra ainda estou podre...
quarta-feira, setembro 19, 2007
Pirâmides, Colossos, Faraós, Libras, Regateios, Camelos, Viagens de Autocarro, Calor, Pobres...Muito Pobres!
Tenho uma necessidade tremenda de actualizar este blog. Pode ser que nem fosse necessário. Que já ninguém me visita. Mas fui viajar. Ainda por cima para o Egipto. E julgo que o Egipto é ponto assente para se falar... Enfim…
A saudade e a nostalgia. Nunca pensei que me custasse tanto apanhar aquele avião de volta. De volta à vidinha normal depois de devaneios históricos, culturais e artísticos.
Nunca pensei que fosse possível existir mesmo aquilo que se vê nas fotografias das viagens dos outros. E não falo de Pirâmides. Falo de tudo o resto a que apontei a minha objectiva. Sempre virada para o céu. Para o enorme. Para o colossal.
Tudo é grande. Perfeito.
Tudo é inexplicável…
Por vezes via-me a tocar na pedra e a pensar… “é mesmo verdade” – “eu estou aqui”! Tudo é tão intenso. Tudo o que se viveu. Eu a aninha, a soninha e todas as pessoas que se foram cruzando a pouco e pouco na nossa vida, daquele nenhures terrestre.
Não tive os pés assentes no chão. Banhei-me no Nilo. Agarrei crocodilos. Entrei no templo de Abu Simbel. Toquei na estátua de Horus. Vi múmias. Vi magníficas peças de arte. Intensifiquei as amizades e fiz novas.
A vida tem muito destas coisas. De me dar presentes e ficar sentimentalista.
Obrigada aninha, soninha, ahmed, family frost… que saudades…
Volto! Quem volta comigo?
segunda-feira, agosto 20, 2007
ID: Não consigo parar de respirar
Não consigo parar de respirar. E se tentar, canso-me. Penso que todos já tentámos deixar de o fazer. Até porque respirar também cansa. No entanto, se deixarmos de o fazer, cansamo-nos ainda mais. Tenho de fazer força e fechar o nariz a boca e os ouvidos (que há quem diga que se respira pelos ouvidos). Tal exercício é desgastante. Pena que também me desgasta o acto de acordar, de comer, de andar, de criar, de sentir…
Por vezes gostava de gerir a minha vida a partir do meu quarto. Deitada na cama tomava as decisões fáceis e as difíceis. Dormia bastante sobre os assuntos, literalmente. Até porque, por vezes canso-me de ser tão activa. De não estar parada. De querer ser mais. Aprender mais. Criar mais. Concorrer a mais concursos. Partir em mais viagens. Que kitsch!
É claro que tal me leva a um desespero constante. O de nunca conseguir fazer tudo o que quereria. O que sonharia. Dói-me isso. E por vezes choro. Sentada sozinha sobre a minha cama azul decorada ao fundo com uma manta verde flash, que me aquece de todas as vezes que adormeço quando chego cansada a casa e me ponho a ver televisão.
Bebo muita água nestes dias. Ando muito desidratada. Principalmente de amor. Falta-me o amor e a paixão. E a dor que todo o amor pode trazer. Também ando um pouco irascível. Um pouco farta, aborrecida, entediada, enfastiada…
É a verdadeira silly season enquanto se trabalha. É o verdadeiro Agosto quente que me cobre do seu laisser faire, laisser passer, que não consigo contornar… e mesmo assim, tenho de continuar a produtividade…
Finally, we are no one!
quarta-feira, julho 25, 2007
Aljustrel Cultural
Tive um dia terrível de trabalho, é bem verdade. Já não venho cá há pacotes de massa… aceito. Vergo-me sobre a mesa e peço-vos «desculpem-me». No entanto, neste momento, enquanto a minha frase no msn continua «Eu despenteada mental e drama queen --- Ansiolíticos...PLEASE», há algo que ainda me fica na mente: «Ai Aljustrel, Aljustrel».
Pois é caro público, tive um fim-de-semana de fazer inveja a muitos gatos preguiçosos e outras cadelitas estrangeiras. Tive um fim-de-semana cultural como há poucos. E da mais sublime «culturalidade» a bem dizer… e isto devo a dois – claro, os homens dão-me volta à cabeça – artistas de primeira categoria – e às amigas de “cá de dentro”.
Dos rapazotes artistas, enquanto um dá os seus primeiros passos a solo ao nível musical, muito bem dados por sinal; o outro destaca-se como escultor (dos bons, entre nós).
O som vertiginoso do binómio «rejubilar/depressar»
De lembrar aquela noite fatídica – sim, em que me deitei às 06h30am –, em que vi ao vivo a estreia mundial de Pedro Azinheira e o seu Bubble Bath. Um som electrónico, original, com algumas influências de artistas mundiais, animou a noite que se previa repleta de Martinis de graça no "Pé de Kafé", e de Marlboros da Sophie.
O som fazia renascer os sentidos do corpo e lembrar os da mente. Houve momentos em que olhei para baixo e não vi chão. Enquanto houve outros em que me sentava na tristeza e olhava com fulgor o sol. O Pedro faz-nos sentir um misto de sensações (passo a redundância) desconexas. Quase paradoxais e sem sentido. “Tu és os Açores e as suas quatro Estações num só dia” – disse-lhe eu nessa noite. E sinceramente, não podia estar mais certa, ou ter encontrado melhores palavras. De uma calma de Sigur Rós, chega ao ímpeto de Dj Shadow passando um olhar sobre o comboio de Lali Puna. Óptimas influências. Digo eu – mas que percebo eu de música (contrabaixos e guitarras ainda vá, agora mais!!! LOL diria eu no msn).
Não consigo encontrar sinónimos para o «amo» o som Bubble Bath, ou para o contraditório «quero ouvir até me cansar». Pedrocas, não te esqueças de mim na próxima ok. Ah ah ah…
As formas de um mundo novo
O Ricardo Manso é uma outra surpresa. Não é que ao olhar para ele não consigamos discernir talento. Nada - o rapaz transborda talento pelos poros -, é que o Ricardo tem um olhar humilde e tímido. Qual não foi o meu espanto quando rebento pela exposição de escultura e desenho adentro: Pahhh!!!! O meu queixo a bater no chão. –“Rapaz, onde arranjaste o dom que eu vou já comprar três quilos?” – pensei. Não o disse. Eu também sou muito tímida (tusso com subtilidade).
O Ricardo não faz formas… reinventa-as. Transforma o real num sub-real subconsciente da própria realidade. Faz do comum uma figura que ele vê com a íris voltada ao contrário. Um olhar (de)compositor de planos. Um olhar que cria a consistência de um novo ser: a arte.
Eu também não entendo de arte. Tiro umas fotografias, e vou tendo umas aulas de desenho que me sufocam. No entanto, quando vejo talento arrepio e interesso-me. Fixo o olhar e não descolo, enquanto os pêlos do braço deixam a excitação de ver algo extremamente belo.
Para ele nem tive palavras. Acho que lhe disse: “Adorei o workshop e quero aulas tuas que eu pago. Além disto gosto desta peça!”. Eu nunca soube discernir a altura de dizer as coisas. Também sou muito tonta e atabalhuada.
No entanto, sou feliz!
Pedro, Ricardo, Mafa, Carla, Sophie e Ili, obrigada por me terem dado um fim-de-semana hilariante.




