segunda-feira, julho 03, 2006

sábado, julho 01, 2006

"Eu não sele chinês, eu sele japonês" - ou - "eu não comele chinês?"


O que faz a comunidade chinesa aos seus mortos? Nos últimos cinco anos, não existe um único registo de óbito de um único cidadão chinês, em Portugal.
Esta foi a mensagem que caiu em milhares caixas de e-mail no último ano. Começámos todos a divagar. Morrer, teriam de morrer, com certeza. Então mas para onde irão? E depois questinávamo-nos: "de onde vem a carne dos crepes que comemos no restaurante do chinês?". I
Impensável.
Afinal, tudo isto é nada mais, que um novo e renovado mito urbano (já cá faziam falta, pois nos tempos que correm, não encontramos Jacks Estripadores, só polícias com fetiches com sacos de ração).
O presidente da Liga dos Chineses em Portugal levantou o véu:
Os chineses exportam os seus mortos para a China. E é possível que existam vistos de residência e de trabalho a passar de morto para vivo, graças a um mecanismo entre a comunidade e a sua embaixada no nosso País.
Mas isto é o menos... suspiro... ainda bem que não somos canibais involuntários.
Que peso me tiraram de cima... Uff

O Branco...



Espero,

Espero ainda...

Tanta coisa, efemérides, datas,

Marcadas em agenda

Espero poder olhar-te

de uma só vez e para sempre

Espero as tuas mãos, dedos, as unhas

que arrancam pedaços de pele

E ficam para sempre

Numa espécie de caixa que guarda o ADN

Numa espécie de corrente sanguínea

que me corre, não nas veias

mas nos poros

Numa espécie de respiração, transpiração

Num bocejo e suspiro que chama a saudade.

Os olhos prendem-se nos braços de quem ama.

Eu ainda chamo

Ainda grito por socorro, por

"só mais uma vez"

Mais um toque.

Não no telefone, que é tão banal.

No toque ritmado cardíaco.

Na veia aorta, no ventrículo esquerdo.

Espero, e o tempo parece parar.

Não me deixa dar o passo em frente no abismo

e me perder.

Nunca me sinto perdida.

E isso também me dói um pouco.

Gostava de ter menos certezas, mais inseguranças.

Menos prazer e mais angústia.

Mais vómito e menos sonhos.

Os meus sonhos estão perdidos.

Ainda espero, também, encontrá-los.

Perdidos nas minhas telas ainda por pintar.

E o branco apavora-me.

Afinal, espero.

Espero o branco

e a limpeza, a segurança eférmera,

o claro do sol quando nem

consigo abrir os olhos numa de

Junho, a caminho do trabalho....

CátiaBISCAIA