quinta-feira, abril 03, 2008

nostalgia... do nada

Se eu fosse de ferro vestia-me de cinzento todos os dias… acordei com esta frase a passear-se na minha cabeça e sinceramente não sei o que fazer com ela. O poço sem fundo em que se tornou a minha vida é mais cor-de-rosa chock. Parece que caminho por entre sorrisos falsos e promessas escondidas. Desenhos desenhados em paredes desenhadas de branco puro. É tudo muito triste e tudo me dói.

Quando a chave entrou na fechadura da minha porta de alumínio negro, quando ouvi aquele raspar rouco que se entranha na pele, lembrei-me por ventura do teu cheiro, e de como sabiam bem aquelas tardes à beira mar. Como a espuma dos dias e a cevada das noites me levavam entre caminhos de estrelas e martinis gelados. Como o teu cabelo era suave e com cheiro a johnsons baby camomila. Eras claro e tinhas mãos de pianista, no entanto enveredaste pelo mundo das artes cénicas e dos amores sem sentido. Como o nosso. Como o beijo que demos e que nunca voltámos a repetir.

A nostalgia tem destas coisas. De nos lembrarmos de pessoas que de certeza nem se recordam de nós. Que dormiram connosco e partilharam a mesma almofada. Que fizeram comentários sobre a lua escura, a lua nova e o quarto minguante. Que arranharam os dedos pela minha pele jovem, virgem e macia… que ficaram comigo várias noites depois dessa. Na minha cabeça. Nas minhas mãos… no meu telefone…

Só foi pena nunca teres existido...

terça-feira, março 25, 2008

Rugas...

Deixei de gostar de escrever em papel… Sinto uma grande necessidade de o fazer, mas só o facto de me começar a doer o calo do dedo médio da mão direita me faz espécie… e ainda por cima, nem uma treta de portátil tenho… tenho de investir em 550 mil coisas o que faz com que não invista em mais uma para somar ao cartel.

Há muita coisa que não faço… mas há muita coisa em que penso. Ultimamente tenho pensado bastante… e como sou uma tola agarrada ao passado… lembro-me do meu com um sorriso! Chego a sentir as mesmas emoções e mesmo a sentir os cheiros os sabores… a mente é mesmo uma coisa deveras fascinante.

Houve muita coisa que senti, que me doeu, mas que sem vergonha, passaria por elas na mesma. Custa-me acreditar que o passado já passou e que não há volta a dar-lhe. Principalmente agora que estou à beira dos 25 anos, e já se denotam duas rugas na minha testa, como que a dizer: “não és de ferro”.

Custa-me… custa-me acreditar que eu já não sou a mesma pessoa… que já não estou no mesmo lugar… que já não penso as mesmas coisas… e agora custa-me olhar para o espelho e ver que nem aí o sorriso é o mesmo.

Nunca pensei que tivesse medo de envelhecer… sempre disse que nada me assustava e que os cabelos brancos me animavam pela sua sensualidade. Ora, agora sou eu… não são os outros… e é uma treta saber que o teu corpo está em desgaste…

Sempre me deprimi no meu aniversário. Chorava sem saber porquê!!! Parece que este meu próximo aniversário vai ser o pior da minha vida…

É que o problema é que eu adoro viver… e só de pensar que os cartuchos estão a queimar… arrepia-me…

Deêm-me fogo, que eu tenho calor!

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Sonho de uma noite de Verão durante a meta-vida

Era domingo. Aliás foi tipo… ontem… Encontrava-me eu a lavar o meu Ciqueciento e imaginava, pelo ar quente que se fazia sentir, que estava no Verão e que nada me podia fazer frente. Aliás, o Inverno apresenta-nos demasiadas contrapartidas. O frio que se faz sentir não nos deixa por em prática a maioria dos nossos sonhos. Por mim falo. Eu é que sinto o frio nos ossos nas manhãs frias que me trazem de Lisboa, ou nas tardes chuvosas que me levam até lá.

Sempre disse que preferia o Inverno. A roupa que mantenho no armário para essa estação é muito mais cool. A lareira acesa nos meus fins-de-semana sonolentos, o Natal com todos os seus bolos rei e filhoses quentinhas, sem esquecer as passagens de ano amenas junto dos amigos e carnavais mirabolantes (no ano passado foi na Madeira, este ano parece que vou colocar os meus pés no verdadeiro museu do Prado, em Madrid).

Mas o Verão é sempre o Verão! A roupa no armário pode não ter tão cool, mas é mais hot hot. Mais colante… (agora que me apetecia passear-me de biquíni na praia sem menos os meus oito quilos). No entanto não é só isso. O calor faz-me recordar a minha fabulosa viagem ao Egipto. Os dois meses de Angola… Faz-me antever a próxima a Praga. Recordar-me das noites regadas de Martini junto das amigas, misturadas com conversas de foro duvidoso e beijinhos e abraços, no mínimo "lesbianaicos". As noites quentes vestidas de alças da Zara e as lágrimas de riso nas passeatas de quinta-feira.

A vida tem muitas destas coisas que nos fazem lembrar de outras. Existem cheiros que nos levam ao Passado. Imagens que nos fazem sentir mais perto de quem mais amamos. Vivemos de recordações e das associações do que aconteceu no que já passou. Por vezes queremos repetir. Muitas outras nos vemos obrigados a esquecer… a apagar da memória. Pois bem, eu gosto de tudo o que me lembro. Mesmo do que me dói e das feridas que ainda ficaram por sarar… agora o Verão podia mudar muita coisa. Queria um cheirinho de Verão para me lembrar só mais um pouco de felicidade.


Apagar o frio das mãos, dos pés… o cansaço das viagens…

queria uma vida… não a minha… meta-vida…


Legenda Imagem | Eu e a Aninha... uma das minhas grandes amigas das noites de Verão e Inverno

quarta-feira, outubro 31, 2007

Não consigo pensar... ponto! (de exclamação???)

Sinto-me na obrigação de escrever qualquer coisa para este blog. Já começam a reclamar e tenho de satisfazer quem me lê, quem finge que me lê, quem não lê, quem ainda não leu e quem ainda lerá, ou que não lerá. Não interessa!

Não consigo pensar... este é o tema. Estou de dieta. E dói-me um dente. Vamos por partes.

Estou agora a frequentar um mestrado em Lisboa... três dias por semana: segunda, terça e quarta-feira. Sim, eu sou de Leiria. Sim, eu moro em Leiria. Sim, trabalho em Leiria. Sim, estou completamente louca por estar para aqui a caminhar estes dias.

Ando cansada. Acho que estou a ficar velha demais e pior... não consigo pensar em nada o suficientemente abrangente e abstracto para continuar uma vida sã e sem mossas. Ainda há pouco me pus a pensar nas coisas que gostava antes de pensar e que me deixavam um sorriso nos lábios. Chiça!!! Não sai nada. Absolutamente. Um vazio oco na minha cabeça que de repente me colocou na opção de que não mereço esta cor de cabelo. Não entra nada... não sai nada destes neurónios cansados e necessitados de um sono restabelecedor.

Começo a pensar na dieta. Pior, pareço daquelas miúdas que só lê a Vogue e fica à espera das malas de brinde. Céus... eu comprei carteiras de brinde??? Que ainda por cima vinham na Lux Woman.

Estou derrotada. Sinto-me completamente estuprada pela civilização. Moldaram-me a mente e fizeram de mim uma zé igual a todas as outras e que me deixa desiludida... Preciso de mudar esta situação. Talvez tenha sido por esta situação que nunca mais por aqui deixei lamentos. Mas amigos, a minha vida é mesmo um caos e fora a minha vida não tenho mais nenhuma para viver. Quem me dera depor uma máscara e andar por ela de maneira diferente que não eu. Multiplicidade de vidas e de sentidos. Uma meta-vida. Uma tudo-junto e sem conteúdo.

Deêm-me conteúdo que já fiz um funeral aos neurónios.

Quanto ao dente. Cá está... a doer-me... é isso e a minha hérnia. Para além de burra ainda estou podre...