domingo, junho 19, 2005

Poemário




A ti


Mãos molhadas da chuva seca,
De tanto respirar a loucura do sol,
A brandura, a secura do olhar!
Que sente... o mar, a respirar,
Profundamente...

A folha que do céu caiu,
De um outro madrigal...Cor infernal
Saiu, fugiu, das mãos ainda molhadas,
Dos sonhos fingidos, dos lábios sequiosos,
De sangue...

A tua ternura, o teu toque, o cheiro,
Permeio da luz inquieta, desgastante.
O teu corpo cansado, o prazer, de te ter...
E correr, sofrer, só por te esperar.
E amar?...

Por vezes nem sempre queres voar...
As asas da paixão são arquivos de amor e
É preciso lutar para criar fogo, ardor.
É preciso ser a borboleta das ilusões...
É preciso desfazer amarras, criar emoções.
Cantar canções, voar em balões, embalar-te
Na vida, sem saber o que virá a seguir...

O tempo perde-se na leitura das nuvens,
As pernas cansadas procuram o trigo
Que floresce todos os dias num sorriso, que é teu,
Que é teu beijo, tua vida...
Mas tu, tu és meu...


Cátia Biscaia

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Manif Xenófoba | 18junho2005




Bandeiras de Portugal e do Partido Nacional Renovador (PNR), símbolos da Frente Nacional, cabeças rapadas e cartazes apelando ao repatriamento dos imigrantes e ao orgulho nacionalista, saudações nazis e o hino nacional, várias vezes repetidos, marcaram a manifestação de extrema-direita que ontem à tarde se realizou entre a Praça do Martim Moniz e o Rossio.

Com cerca de 300 pessoas, segundo a polícia, e quase mil nas contas do PNR, esta foi, em qualquer dos casos, a maior concentração pública de sempre deste tipo no País. Já na Praça do Rossio, esteve a um passo de degenerar no confronto físico, quando populares gritaram palavras de ordem como "fascistas" e "25 de Abril sempre". A tensão começava a subir, com gritos desencontrados de ambos os lados, e só a actuação do Corpo de Intervenção da PSP e polícias com cães o impediram. Distúrbios houve apenas poucos minutos depois, já na Rua do Carmo. O Corpo de Intervenção actuou para proteger dois indivíduos perseguidos por alguns manifestantes e acabou por agredir um repórter fotográfico, quando dispersava as pessoas que tinham acorrido ao local.

Contradição. Grupos de jovens, alguns apoiantes envergonhados e outros tantos curiosos começaram a concentrar-se no Martim Moniz às 13.30, antes da hora marcada para o início do protesto. Cabeças-rapadas ostentando bandeiras portuguesas e cruzes suásticas tatuadas nos braços começavam já, por essa altura, a estender no chão as primeiras faixas que davam o mote à manifestação "Isto é nosso", "Não existem direitos iguais quando és um alvo por seres branco" e "Imigrantes igual a crime". Palavras de ordem em evidente contradição com as declarações dos dirigentes do PNR, da Causa Identitária e da própria Frente Nacional, presentes na manifestação, que recusaram ser conotados com atitudes racistas e xenófobas.

"Não somos racistas, como andam aí a dizer, mas não aceitamos que haja ruas de Lisboa onde os portugueses não podem estar em segurança porque estão nas mãos de mafias e de traficantes", afirmava José Pinto Coelho, dirigente do PNR. Garantindo que a manifestação não era convocada pelo seu partido, este designer gráfico, de 44 anos, dava no entanto a cara pe- lo protesto. "Estamos aqui para apoiar esta manifestação da Frente Nacional, da qual estamos próximos", explicava Pinto Coelho. E sublinhava ainda "Temos que reagir à criminalidade. Esta é uma manifestação pacífica e é só o começo. É natural que façamos mais manifestações destas no futuro."

Mário Machado, da Frente Nacional, e um dos organizadores da marcha, foi mais longe. Sem meias palavras, mas recusando a classificação de racista, garantia "Imigração e criminalidade andam quase sempre de mãos dadas e não temos de ter medo de chamar as coisas pelos nomes". Para este dirigente, que reclama o orgulho de ser branco, a solução é só uma. "O Governo tem de expatriar os imigrantes. A nacionalidade herda-se, não se compra." Quanto à criminalidade, o seu movimento "espera que o governo passe a considerar imputáveis os menores a partir dos 12 anos, porque há miúdos dessa idade que andam aí a roubar".

Antes de iniciarem a curta marcha até ao Rossio, os manifestantes - "não só skinheads, deve haver apenas 30 ou 40 no meio de 300 pessoas", dizia Mário Machado - fizeram um minuto de silêncio "pelos portugueses mortos na África do Sul e pelos portugueses que sofrem na linha de Sintra e que têm medo de sair de casa".

Faltavam poucos minutos para as 15.00 quando os manifestantes saíram do Martim Moniz, acompanhados de perto pela polícia.

Aos gritos de "Portugal", empunhando cartazes com as palavras de ordem "Imigração igual a colonização" e "Sampaio na Cova da Moura, portugueses no Martim Moniz" e fazendo a espaços saudações de braço estendido, os manifestantes, homens jovens na maioria, percorreram em poucos minutos a distância entre as duas praças. Foi já no Rossio, onde alguns populares os apelidaram de "fascistas" e gritaram "25 de Abril sempre" que os ânimos começaram a aquecer. Um indivíduo cabo-verdiano chegou a envolver-se numa discussão acesa com alguns manifestantes e só a pronta intervenção policial, que formou uma barreira entre opositores, evitou confrontos.

Questionado sobre o gesto de braço estendido feito várias vezes pelos manifestantes, Pinto Coelho recusou que isso fosse uma saudação nazi. "É uma saudação nacionalista, da Mocidade Portuguesa". Reconheceu, porém, "incómodo" pela situação, porque "vai ser aproveitada pela comunicação social".

No final, o comandante Oliveira Pereira, do Comando Metropolitano da PSP, estava satisfeito. "Correu genericamente bem, não fizemos detenções", afirmou. Sobre a agressão ao repórter fotográfico, desvalorizou-a, justificando a situação pela necessidade de actuação da polícia no momento.

Uma cortesia Diário de Notícias

O que há a dizer sobre isto? Em que País vivemos? Até parece que não existem portugueses espalhados pelo mundo... realmente somos um País de atrasados... de pessoas egoístas e sem escrúpulos... para onde foi a bondade humana... talvez esteja na sanita.



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domingo, junho 12, 2005

lisboaphoto | A Medicina Legal e o grau zero do realismo fotográfico





"Esta exposiçãoo contém imagens susceptíveis de impressionar o espectador", diz o aviso colocado à entrada das duas salas do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa onde se exibe Corpo Diferenciado. Uma exposição com imagens do acervo do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), que revela o modo como a fotografia foi usada em Portugal, de 1910 a 1947, para constituição de prova judicial ou registo científico de patologias.

"É uma exposição sobre o grau zero do realismo fotográfico, a fotografia ao serviço da reprodução meramente utilitária, sem qualquer pretensão estética", explica Sérgio Mah, comissário-geral da LisboaPhoto, justificando assim a inclusão na bienal destas imagens cruas, bizarras e, até, chocantes (como as de autópsias ou malformações), que integram a colecção da delegação de Lisboa do INML.

As provas de época e impressões por contacto (de negativos de vidro) são o resultado da primeira fase do projecto de investigação e conservação do espólio que o Arquivo Fotogr�fico está a desenvolver, e que inclui registos bem mais violentos do que estes patentes ao público até 20 de Agosto.

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quinta-feira, junho 02, 2005

Défice nacional

Nem tudo vai mal nesta nossa República
(Pelo menos para alguns)

Com as eleições legislativas de 20/Fevereiro, metade dos 230
deputados não
foram eleitos. Os que saíram regressaram às suas anteriores
actividades.
Sem, contudo saírem tristes ou cabisbaixos. Quando terminam as
funções, os
deputados e governantes têm o direito, por Lei (deles) a um subsídio
que
dizem de reintegração:

- um mês de salário (3.449 euros) por cada seis meses de Assembleia
ou
governo.

Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano recebe dois
salários (6.898 euros). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe vinte

salários (68.980 euros). Feitas as contas e os deputados que saíram o

Erário Público desembolsou mais de 2.500.000 euros.

No entanto, há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias
ou
pensões de reforma (mesmo que não tenham 60 anos). Estas são
atribuídas
aos titulares de cargos políticos com mais de 12 anos.

Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos figuras como:

- Almeida Santos ......................... 4.400, euros;
- Medeiros Ferreira ....................... 2.800, euros;
- Manuela Aguiar ......................... 2.800, euros;
- Pedro Roseta .............................. 2.800, euros;
- Helena Roseta ............................ 2.800, euros;
- Narana Coissoró ......................... 2.800, euros;
- Álvaro Barreto ............................. 3.500, euros;
-Vieira de Castro ........................... 2.800, euros;
- Leonor Beleza ............................ 2.200, euros;
- Isabel Castro .............................. 2.200, euros;
- José Leitão ................................ 2.400, euros;
- Artur Penedos ............................ 1.800, euros;
- Bagão Félix ............................... 1.800, euros.

Quanto aos ilustres reintegrados, encontramos os seguintes:
- Luís Filipe Pereira ............... 26.890, euros / 9 anos de
serviço;
- Sónia Fortuzinhos .................. 62.000, euros / 9 anos e meio
de
serviço;
- Maria Santos .......................... 62.000, euros /9 anos de
Serviço;


- Paulo Pedroso ....................... 48.000, euros /7 anos e
meio de
serviço;
- David Justino ......................... 38.000, euros /5 anos e
meio de
serviço;
- Ana Benavente ...................... 62.000, euros/9 anos de
serviço;
- Mª Carmo Romão ................... 62.000, euros /9 anos de
serviço;
- Luís Nobre Guedes ............... 62.000, euros/ 9 anos e meio de

serviço.

A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá
somente a
última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido
cerca
de 20.000, euros cada.

É assim a nossa República (das bananas) !!!!!!!!!!!!!

É ESTA A CLASSE POLÍTICA QUE TEM A LATA DE PEDIR SACRIFICIOS AOS
PORTUGUESES PARA DEBELAR A CRISE...

domingo, maio 08, 2005

O futuro


"Somos do tamanho dos nossos sonhos". Fernando Pessoa Posted by Hello

Conselhos do Lugar Comum


Eis alguns dos conselhos do Lugar Comum, Centro de Experimentação do Clube de Artes e Ideias, para o mês de Maio. Vale a Pena...

REFLEXUS V1.1 BETA
Frederico Pereira
Anabela Teixeira

Apresentação de uma performance multimédia assente no tema dos reflexos, resultante da articulação das linguagens habituais dos dois artistas envolvidos.

Em Residência
no Lugar Comum
De 7 de Março
a 06 de Maio

Apresentação
07 de Maio às 21.30h
Entrada Livre

Workshop de Land Art
Teresa Rutkowski

Descrição: exercícios de introdução à temática da Land Art direccionados para a percepção subjectiva da paisagem local e do terreno disponível em termos sensoriais e físico-naturais.
Local: Fábrica da Pólvora de Barcarena
Lugar Comum
Tel.: 21.438.74.60
Dias 21 e 22 de Maio

Público alvo:
Dia 21 - estudantes e artistas com interesse na área
(a partir dos 16 anos)
Dia 22 - público em geral a partir dos 14 anos

Preço: 50€ / participante
(45€ sócios CPAI)

Aluga-se e Vende-se para escritórios

Pretende-se que o lugar público seja útil, que responda de um modo eficaz às necessidades de uma determinada colectividade.
Entre essa rotina funcional estabelecem-se momentos de suspensão, períodos em que essa actividade cessa por momentos.
"Aluga-se e Vende-se para escritórios" apresenta um conjunto de
espaços de trabalho que partilham dessa condição indefinida,
onde a disponibilidade se mistura com as marcas dos anteriores ocupantes. Apresentado através de uma série de fotografias legendadas, este trabalho questiona também a circunstância temporária do espaço expositivo onde se instala, aproximando por momentos a hipótese de que aquele espaço se encontra numa situação transitória.

Inauguração
23 Abril às 17h

De 24 de Abril a 15 de Maio
Segunda a Domingo
das 14 às 17h

Entrada livre

Central Diesel
Rui Coelho
Instalação sonora na central eléctrica da Fábrica da Pólvora de Barcarena que pretende recriar o ambiente sonoro de quando esta se encontrava em actividade

Inauguração
Dia 18 de Maio
18 horas
Aberto só aos fins de semana
21 e 22 de Maio
28 e 29 de Maio
4 e 5 de Junho
11 e 12 de Junho
Entre as 14 e as 18h

Show K

Concurso aberto para projectos artísticos transdisciplinares
desenvolvidos por artistas residentes no concelho de Oeiras,
para sua posterior apresentação no espaço do Lugar Comum.

Informações e inscrições
Lugar Comum
Tel.: 21.438.74.60
lugarcomum@lugarcomum.com


Galeria Online

Espaço criado na página web do Lugar Comum para divulgação de
projectos artísticos concebidos para este suporte.
Informações
Lugar Comum
Tel.: 21.438.74.60
lugarcomum@lugarcomum.com
Posted by Hello